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Conhecer o jogoO verbo concorda com o sujeito, mas as provas cobram justamente as frases em que o sujeito engana: verbo impessoal, verbo com "se", expressão partitiva e porcentagem. Treine cada caso.
Na redação e nas questões de linguagem do ENEM, o verbo é avaliado pelo que ele faz com o sujeito: concorda com ele em número (singular ou plural) e em pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles). Na maioria das frases isso é automático — “Os jogadores entraram em campo”. O problema começa quando o sujeito está longe, depois do verbo, ligado a um complemento com preposição ou simplesmente não existe.
Por isso a primeira pergunta é sempre quem é o sujeito? Se precisar revisar, veja sujeito e predicado. Os casos abaixo são justamente aqueles em que a resposta engana.
O método em três perguntas
1. O verbo tem sujeito? (Haver = existir e fazer = tempo não têm.) 2. Onde está o sujeito? (Pode vir depois do verbo.) 3. Qual é a função do termo próximo ao verbo? Em “precisa-se de técnicos”, “de técnicos” é complemento, não sujeito, e não leva o verbo ao plural.
Sujeito simples: o verbo concorda com o núcleo do sujeito, não com a palavra mais próxima. Em “A lista de aprovados saiu”, o núcleo é “lista” (singular); “aprovados” é só um complemento dele. Esse é o erro de atenção mais frequente em textos longos: o verbo se deixa atrair pelo plural que está colado nele.
Sujeito composto anteposto: plural (“Matemática e física exigem prática”). Se os núcleos forem de pessoas gramaticais diferentes, prevalece a 1ª sobre a 2ª e a 2ª sobre a 3ª: “Eu e você iremos”, “Tu e ele ireis” (também se aceita “irão”).
Toque em cada caso para ver a regra, os exemplos e o raciocínio por trás dela.
Sujeito composto
A posição do sujeito decide
Anteposto, o sujeito composto normalmente leva o verbo ao plural. Há exceções, como núcleos sinônimos entendidos como uma só ideia: “A paz e a tranquilidade reinava naquele lugar”. Posposto, a norma aceita as duas concordâncias: com todos os núcleos (plural) ou só com o mais próximo.
Núcleos ligados por “ou” com ideia de exclusão deixam o verbo no singular: “Pedro ou Paulo será o capitão” — só um deles pode ser.
Expressão partitiva
a maioria de, grande parte de, metade de
As duas formas são aceitas pela norma-padrão. O singular concorda com o núcleo gramatical (“maioria”); o plural concorda com a ideia de muitos indivíduos, que vem do especificador (“dos alunos”).
Por isso essa construção raramente é a resposta “errada” de uma questão — desconfie de alternativa que condena uma das duas.
Verbos impessoais
Sem sujeito, sempre no singular
“Haver” no sentido de existir ou acontecer, e “haver” e “fazer” indicando tempo decorrido, não têm sujeito. Ficam na 3ª pessoa do singular, e o auxiliar de uma locução também: “Deve haver vagas”, “Vai fazer dois anos”.
“Existir”, “acontecer” e “ocorrer” são diferentes: têm sujeito e concordam com ele — “Existiram muitas reclamações”.
Vendem-se casas x precisa-se de
A transitividade do verbo decide
Com verbo transitivo direto, o “se” é pronome apassivador: a frase está na voz passiva sintética e o termo que acompanha o verbo é sujeito paciente. O verbo concorda com ele.
Com verbo transitivo indireto ou intransitivo, o “se” é índice de indeterminação do sujeito, e o verbo fica no singular: “Trata-se de casos raros”, “Vive-se bem aqui”.
“Um dos que”
Plural é a forma recomendada
O “que” retoma “as alunas” (plural), não “uma”. Por isso as gramáticas recomendam o plural. Alguns autores aceitam o singular quando se quer destacar o indivíduo, mas em prova o plural é a escolha segura.
Porcentagem
Numeral, especificador ou determinante
Sem complemento, o verbo concorda com o número: 1% fica no singular; 30%, no plural. Com especificador (“30% da turma”, “1% dos alunos”), pode concordar com o número ou com o especificador.
Quando um artigo ou pronome vem antes da porcentagem, o verbo concorda com esse determinante: “Os 2% restantes desistiram”.
Verbo ser: horas e datas
Concorda com a expressão de tempo
Em frases de horas, datas e distâncias, o verbo “ser” não tem sujeito e concorda com o numeral. Nas datas, o singular também é aceito porque a palavra “dia” fica subentendida.
Exemplo 1. “Haviam muitas pessoas na fila” está correta?
Exemplo 2. Complete: “Segundo a pesquisa, 40% dos entrevistados ___ (aprovar) a proposta, e os 60% restantes ___ (rejeitar).”
Exemplo resolvido, passo a passo
“Aluga-se” ou “alugam-se” salas comerciais?
Passo 1 · Ache o verbo e o “se”
A dúvida está em “aluga-se” ou “alugam-se”. Antes de olhar para o plural de “salas”, descubra o papel do “se”.
Passo 2 · Teste a transitividade
Quem aluga, aluga alguma coisa: “alugar” liga-se ao complemento sem preposição. É transitivo direto.
Passo 3 · Passe para a voz passiva analítica
Com transitivo direto, o “se” é apassivador. A frase equivale a “Salas comerciais são alugadas”.
Passo 4 · Encontre o sujeito
Na versão analítica fica claro: “salas comerciais” é o sujeito paciente, no plural.
Passo 5 · Conclua
O verbo concorda com o sujeito: “Alugam-se salas comerciais”. Se o verbo pedisse preposição (“Precisa-se de salas”), ficaria no singular.
Escolha a forma verbal da norma-padrão. Errar faz parte: o comentário mostra de onde vem o erro.
Frase de
Acertos: de
O caso do “se” depende de saber se o verbo pede preposição, assunto do guia de objeto direto e indireto, e da passiva sintética, explicada em voz ativa e passiva. Para a concordância entre substantivo e adjetivo, veja concordância nominal.
respondidas 0/5
Escolha uma resposta e veja na hora se acertou. É para aprender — sem pressão.
1. Assinale a frase que segue a norma-padrão.
Por quê: “Consertar” é transitivo direto, então “bicicletas” é sujeito paciente e o verbo vai ao plural. Nas outras, o verbo deveria ficar no singular: houve, faz, precisa-se.
2. Sobre a frase “Chegou a professora e os alunos”, é correto afirmar:
Por quê: Sujeito composto posposto admite plural (“chegaram”) ou concordância com o núcleo mais próximo (“chegou a professora”). As duas formas são aceitas.
3. Qual reescrita de “Existiam poucas vagas” mantém o sentido e a correção?
Por quê: Ao trocar “existir” por “haver”, o verbo perde o sujeito e vai ao singular: havia. “Podiam haver” erra o auxiliar, que também fica no singular.
4. Em “Trata-se de casos raros”, por que o verbo fica no singular?
Por quê: “De casos raros” é complemento da expressão “tratar-se de”, não sujeito. O “se” indetermina o sujeito, e o verbo fica no singular.
5. Qual das frases está INCORRETA?
Por quê: Com determinante antes da porcentagem (“os”), o verbo concorda com ele: “Os 10% restantes ficaram de fora”. As duas formas com “a maioria dos” são aceitas.
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