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Concordância verbal: regra geral e casos do ENEM

O verbo concorda com o sujeito, mas as provas cobram justamente as frases em que o sujeito engana: verbo impessoal, verbo com "se", expressão partitiva e porcentagem. Treine cada caso.

Sintaxe 9 min de leitura Um de 7 guias de Sintaxe
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Na redação e nas questões de linguagem do ENEM, o verbo é avaliado pelo que ele faz com o sujeito: concorda com ele em número (singular ou plural) e em pessoa (eu, tu, ele, nós, vós, eles). Na maioria das frases isso é automático — “Os jogadores entraram em campo”. O problema começa quando o sujeito está longe, depois do verbo, ligado a um complemento com preposição ou simplesmente não existe.

Por isso a primeira pergunta é sempre quem é o sujeito? Se precisar revisar, veja sujeito e predicado. Os casos abaixo são justamente aqueles em que a resposta engana.

O método em três perguntas

1. O verbo tem sujeito? (Haver = existir e fazer = tempo não têm.) 2. Onde está o sujeito? (Pode vir depois do verbo.) 3. Qual é a função do termo próximo ao verbo? Em “precisa-se de técnicos”, “de técnicos” é complemento, não sujeito, e não leva o verbo ao plural.

A regra geral

Sujeito simples: o verbo concorda com o núcleo do sujeito, não com a palavra mais próxima. Em “A lista de aprovados saiu”, o núcleo é “lista” (singular); “aprovados” é só um complemento dele. Esse é o erro de atenção mais frequente em textos longos: o verbo se deixa atrair pelo plural que está colado nele.

Sujeito composto anteposto: plural (“Matemática e física exigem prática”). Se os núcleos forem de pessoas gramaticais diferentes, prevalece a 1ª sobre a 2ª e a 2ª sobre a 3ª: “Eu e você iremos”, “Tu e ele ireis” (também se aceita “irão”).

Os casos especiais que mais caem

Toque em cada caso para ver a regra, os exemplos e o raciocínio por trás dela.

Sujeito composto

A posição do sujeito decide

Antes do verbo
Plural: “O pai e a filha viajaram.”
Depois do verbo
Plural ou o núcleo mais próximo: “Viajaram (ou viajou) o pai e a filha.”

Anteposto, o sujeito composto normalmente leva o verbo ao plural. Há exceções, como núcleos sinônimos entendidos como uma só ideia: “A paz e a tranquilidade reinava naquele lugar”. Posposto, a norma aceita as duas concordâncias: com todos os núcleos (plural) ou só com o mais próximo.

Núcleos ligados por “ou” com ideia de exclusão deixam o verbo no singular: “Pedro ou Paulo será o capitão” — só um deles pode ser.

Expressão partitiva

a maioria de, grande parte de, metade de

Com o núcleo
“A maioria dos alunos faltou.”
Com o especificador
“A maioria dos alunos faltaram.”

As duas formas são aceitas pela norma-padrão. O singular concorda com o núcleo gramatical (“maioria”); o plural concorda com a ideia de muitos indivíduos, que vem do especificador (“dos alunos”).

Por isso essa construção raramente é a resposta “errada” de uma questão — desconfie de alternativa que condena uma das duas.

Verbos impessoais

Sem sujeito, sempre no singular

Haver = existir
“Houve muitas reclamações.”
Fazer = tempo
“Faz três semanas que não chove.”

“Haver” no sentido de existir ou acontecer, e “haver” e “fazer” indicando tempo decorrido, não têm sujeito. Ficam na 3ª pessoa do singular, e o auxiliar de uma locução também: “Deve haver vagas”, “Vai fazer dois anos”.

“Existir”, “acontecer” e “ocorrer” são diferentes: têm sujeito e concordam com ele — “Existiram muitas reclamações”.

Vendem-se casas x precisa-se de

A transitividade do verbo decide

Transitivo direto
“Vendem-se casas.” (casas são vendidas)
Com preposição
“Precisa-se de técnicos.”

Com verbo transitivo direto, o “se” é pronome apassivador: a frase está na voz passiva sintética e o termo que acompanha o verbo é sujeito paciente. O verbo concorda com ele.

Com verbo transitivo indireto ou intransitivo, o “se” é índice de indeterminação do sujeito, e o verbo fica no singular: “Trata-se de casos raros”, “Vive-se bem aqui”.

“Um dos que”

Plural é a forma recomendada

Recomendado
“Ela é uma das alunas que mais leem.”
Raciocínio
Das alunas que mais leem, ela é uma.

O “que” retoma “as alunas” (plural), não “uma”. Por isso as gramáticas recomendam o plural. Alguns autores aceitam o singular quando se quer destacar o indivíduo, mas em prova o plural é a escolha segura.

Porcentagem

Numeral, especificador ou determinante

Sem especificador
“Só 1% respondeu.” / “30% responderam.”
Com determinante
“Os 2% restantes desistiram.”

Sem complemento, o verbo concorda com o número: 1% fica no singular; 30%, no plural. Com especificador (“30% da turma”, “1% dos alunos”), pode concordar com o número ou com o especificador.

Quando um artigo ou pronome vem antes da porcentagem, o verbo concorda com esse determinante: “Os 2% restantes desistiram”.

Verbo ser: horas e datas

Concorda com a expressão de tempo

Horas
“É uma hora.” / “São duas horas.”
Datas
“Hoje são 15 de outubro.” ou “Hoje é (dia) 15 de outubro.”

Em frases de horas, datas e distâncias, o verbo “ser” não tem sujeito e concorda com o numeral. Nas datas, o singular também é aceito porque a palavra “dia” fica subentendida.

Exemplos resolvidos

Exemplo 1. “Haviam muitas pessoas na fila” está correta?

  1. O verbo é “haver”, com sentido de existir: dá para trocar por “existiam muitas pessoas”.
  2. Nesse sentido, “haver” é impessoal: a oração não tem sujeito.
  3. “Muitas pessoas” é objeto direto — tanto que vira pronome oblíquo: “havia-as”.
  4. Sem sujeito, o verbo fica na 3ª pessoa do singular: “Havia muitas pessoas na fila.”

Exemplo 2. Complete: “Segundo a pesquisa, 40% dos entrevistados ___ (aprovar) a proposta, e os 60% restantes ___ (rejeitar).”

  1. Primeira lacuna: “40%” tem especificador (“dos entrevistados”), plural nos dois casos: aprovaram.
  2. Segunda lacuna: o artigo “os” vem antes da porcentagem, e o verbo concorda com o determinante: rejeitaram.
  3. Observe que, se fosse “1% dos entrevistados”, o singular (aprovou) e o plural (aprovaram) seriam aceitos.

Exemplo resolvido, passo a passo

“Aluga-se” ou “alugam-se” salas comerciais?

  1. Passo 1 · Ache o verbo e o “se”

    A dúvida está em “aluga-se” ou “alugam-se”. Antes de olhar para o plural de “salas”, descubra o papel do “se”.

  2. Passo 2 · Teste a transitividade

    Quem aluga, aluga alguma coisa: “alugar” liga-se ao complemento sem preposição. É transitivo direto.

  3. Passo 3 · Passe para a voz passiva analítica

    Com transitivo direto, o “se” é apassivador. A frase equivale a “Salas comerciais são alugadas”.

  4. Passo 4 · Encontre o sujeito

    Na versão analítica fica claro: “salas comerciais” é o sujeito paciente, no plural.

  5. Passo 5 · Conclua

    O verbo concorda com o sujeito: “Alugam-se salas comerciais”. Se o verbo pedisse preposição (“Precisa-se de salas”), ficaria no singular.

Corrija a frase

Escolha a forma verbal da norma-padrão. Errar faz parte: o comentário mostra de onde vem o erro.

Frase de

Acertos: de

Gabarito comentado das frases
  • Ontem houve muitos problemas na reunião. — “Haver” no sentido de existir é impessoal: não tem sujeito e fica na 3ª pessoa do singular. “Muitos problemas” é objeto direto.
  • Vendem-se casas na praia. — “Vender” é transitivo direto: o “se” é apassivador e “casas” é o sujeito paciente (casas são vendidas). O verbo concorda com ele.
  • Precisa-se de professores de física. — “Precisar” pede a preposição “de”. Com verbo transitivo indireto, o “se” indetermina o sujeito e o verbo fica no singular.
  • Faz dez anos que me mudei para cá. — “Fazer” indicando tempo decorrido é impessoal: fica sempre no singular.
  • O diretor e os professores chegaram cedo à reunião. — Sujeito composto antes do verbo leva o verbo ao plural.
  • Deve haver vagas para todos no curso. — Numa locução com “haver” impessoal, o auxiliar herda a impessoalidade: deve haver, pode haver, vai haver.
  • Existem muitas dúvidas sobre a prova. — “Existir” é verbo pessoal: “muitas dúvidas” é o sujeito, posposto, e o verbo vai ao plural.
  • Mais de um aluno acertou a questão. — Com “mais de um”, o verbo concorda com o numeral “um” e fica no singular.

Erros comuns e como cai na prova

  • Verbo atraído pelo plural vizinho. “O resultado das provas saíram” — o núcleo é “resultado”: saiu.
  • Plural em “haver” e no seu auxiliar. “Devem haver soluções” → deve haver. Questões gostam de esconder o “haver” numa locução.
  • “Vende-se casas”. Muito comum em placas, mas a norma-padrão pede vendem-se. A prova costuma trazer as duas construções com “se” lado a lado para você distinguir apassivador de índice de indeterminação.
  • Condenar uma forma aceita. “A maioria dos alunos foi/foram” e “Chegou/chegaram o pai e o filho” admitem as duas concordâncias. Alternativa que chama uma delas de erro está errada.
  • Sujeito oracional. Quando o sujeito é uma oração, o verbo fica no singular: “Falta resolver três questões” (resolver três questões falta).

O caso do “se” depende de saber se o verbo pede preposição, assunto do guia de objeto direto e indireto, e da passiva sintética, explicada em voz ativa e passiva. Para a concordância entre substantivo e adjetivo, veja concordância nominal.

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  1. 1. Assinale a frase que segue a norma-padrão.

    Por quê: “Consertar” é transitivo direto, então “bicicletas” é sujeito paciente e o verbo vai ao plural. Nas outras, o verbo deveria ficar no singular: houve, faz, precisa-se.

  2. 2. Sobre a frase “Chegou a professora e os alunos”, é correto afirmar:

    Por quê: Sujeito composto posposto admite plural (“chegaram”) ou concordância com o núcleo mais próximo (“chegou a professora”). As duas formas são aceitas.

  3. 3. Qual reescrita de “Existiam poucas vagas” mantém o sentido e a correção?

    Por quê: Ao trocar “existir” por “haver”, o verbo perde o sujeito e vai ao singular: havia. “Podiam haver” erra o auxiliar, que também fica no singular.

  4. 4. Em “Trata-se de casos raros”, por que o verbo fica no singular?

    Por quê: “De casos raros” é complemento da expressão “tratar-se de”, não sujeito. O “se” indetermina o sujeito, e o verbo fica no singular.

  5. 5. Qual das frases está INCORRETA?

    Por quê: Com determinante antes da porcentagem (“os”), o verbo concorda com ele: “Os 10% restantes ficaram de fora”. As duas formas com “a maioria dos” são aceitas.

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Perguntas frequentes

Qual é o certo: "houve problemas" ou "houveram problemas"?
"Houve problemas". Quando significa existir ou acontecer, o verbo haver não tem sujeito e fica no singular em qualquer tempo: havia, houve, haverá, deve haver.
"Vende-se casas" está errado?
Pela norma-padrão, sim. Vender é transitivo direto, então "casas" é o sujeito da passiva sintética (casas são vendidas) e o verbo vai ao plural: "Vendem-se casas".
"A maioria dos alunos foi" ou "foram"?
As duas formas são aceitas. O singular concorda com "maioria", o núcleo; o plural concorda com "alunos", o especificador. Vale o mesmo para "grande parte de" e "metade de".
Como fica o verbo com porcentagem?
Sem complemento, concorda com o número ("1% votou", "20% votaram"). Com complemento, pode concordar com o número ou com o complemento. Se houver artigo antes ("os 20%"), concorda com o artigo.