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Orações subordinadas: substantivas, adjetivas e adverbiais

Uma oração subordinada faz papel de substantivo, adjetivo ou advérbio dentro de outra. Reconheça o tipo pela palavra que a introduz e pela relação de sentido com a principal.

Sintaxe 11 min de leitura Um de 7 guias de Sintaxe
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Num período composto, nem toda oração tem o mesmo peso. Em “Espero que você venha”, a segunda oração não se sustenta sozinha: ela é o objeto do verbo “espero”. Uma oração que exerce função sintática dentro de outra — a principal — é uma oração subordinada. Conforme o papel que desempenham, comparável ao de um substantivo, de um adjetivo ou de um advérbio, as subordinadas se dividem em três famílias: substantivas, adjetivas e adverbiais.

Já as coordenadas são independentes na estrutura: em “Estudei e passei”, nenhuma das duas é termo da outra; apenas se somam. A relação de sentido entre elas vem das conjunções coordenativas (e, mas, ou, portanto, pois), revisadas no guia de conjunções.

Como reconhecer cada família

Substantiva: pode ser trocada por “isso” e, em geral, começa com conjunção integrante (que, se). Adjetiva: começa com pronome relativo (que = o qual, onde, cujo, quem) que retoma um substantivo. Adverbial: acrescenta uma circunstância — causa, tempo, condição, finalidade — e começa com conjunção subordinativa.

Substantivas: a oração no papel de substantivo

São seis, nomeadas pela função que exercem. O teste do “isso” funciona em todas: troque a oração pela palavra e veja que função ela ocupa.

Tipo Função Exemplo
SubjetivasujeitoÉ importante que você leia.
Objetiva diretaobjeto diretoQuero que você venha.
Objetiva indiretaobjeto indiretoLembre-se de que a prova é amanhã.
Completiva nominalcomplemento nominalTenho medo de que chova.
Predicativapredicativo do sujeitoO problema é que ninguém leu.
ApositivaapostoSó peço isto: que você chegue cedo.

Adjetivas: restritivas e explicativas

A oração adjetiva caracteriza um substantivo, como faria um adjetivo: “o aluno que estuda” equivale a “o aluno estudioso”. Ela vem introduzida por pronome relativo, e o relativo exerce função dentro da própria oração — por isso, quando o verbo dela pede preposição, a preposição vai para antes do relativo: “a escola em que estudo”, “o autor de cujo livro gostei”.

A diferença entre os dois tipos está na vírgula. A restritiva vem sem vírgulas e limita o alcance do substantivo. A explicativa vem entre vírgulas e acrescenta uma informação sobre o substantivo inteiro. Veja a diferença na prática:

Exemplo resolvido, passo a passo

“Os alunos que estudaram passaram” x “Os alunos, que estudaram, passaram”

  1. Passo 1 · Ache o relativo e o antecedente

    Nas duas frases, “que” retoma “os alunos”. As duas orações são adjetivas.

  2. Passo 2 · Leia a versão sem vírgulas

    “Os alunos que estudaram passaram.” A oração separa um subgrupo: só os alunos que estudaram passaram. A frase afirma a aprovação desse subgrupo; não informa diretamente o resultado dos demais.

  3. Passo 3 · Leia a versão com vírgulas

    “Os alunos, que estudaram, passaram.” A oração acrescenta uma informação sobre todos: todos estudaram, e todos passaram.

  4. Passo 4 · Faça o teste da retirada

    Tire a oração. Na explicativa, “os alunos passaram” mantém o alcance (todos). Na restritiva, a frase passa a dizer algo sobre um grupo maior do que o original.

  5. Passo 5 · Conclua

    Sem vírgulas: adjetiva restritiva. Entre vírgulas: adjetiva explicativa. A pontuação muda quem passou — e é isso que a prova pergunta.

Adverbiais: as nove circunstâncias

A oração adverbial funciona como adjunto adverbial da principal. O que define o tipo é a relação de sentido, e não a conjunção isolada — “como” pode ser causal, comparativo ou conformativo, e “desde que” pode ser temporal ou condicional. Toque em cada tipo para ver as conjunções-chave e um exemplo.

Causal

Indica o motivo do fato principal

Conjunções
porque, como (no início), já que, visto que, uma vez que
Exemplo
“Como a ponte caiu, a estrada foi fechada.”

O “como” é causal quando abre o período e equivale a “já que”. A oração apresenta a causa do fato principal; ela pode aparecer antes ou depois da principal no período.

Consecutiva

Indica a consequência de uma intensidade

Conjunções
que (após tão, tal, tanto, tamanho), de modo que, de sorte que
Exemplo
“Choveu tanto que a ponte caiu.”

É o espelho da causal: a oração principal traz a intensidade (“tanto”) e a subordinada traz o resultado.

Concessiva

Um obstáculo que não impede o fato

Conjunções
embora, ainda que, mesmo que, se bem que, conquanto, apesar de que
Exemplo
“Embora tivesse estudado, errou a questão.”

Expressa ideia contrária à da principal, mas que não basta para impedi-la. O verbo costuma ir para o subjuntivo. É a oposição “subordinada”; o “mas” faz a mesma oposição por coordenação.

Condicional

Uma condição para o fato principal

Conjunções
se, caso, desde que (+ subjuntivo), contanto que, a menos que
Exemplo
“Caso chova, o show será adiado.”

“Desde que” com verbo no subjuntivo é condicional (“desde que você estude”); com indicativo, é temporal (“desde que se mudou”).

Temporal

Situa o fato no tempo

Conjunções
quando, enquanto, assim que, logo que, desde que (+ indicativo), sempre que
Exemplo
“Assim que o sinal tocou, todos saíram.”

Indica anterioridade, simultaneidade ou posterioridade em relação à principal.

Final

Indica a finalidade

Conjunções
para que, a fim de que
Exemplo
“Falou baixo para que o bebê não acordasse.”

Responde “para quê?”. Na forma reduzida, aparece com infinitivo: “Falou baixo para não acordar o bebê”.

Comparativa

Compara dois termos

Conjunções
como, (mais/menos) do que, tal qual, assim como
Exemplo
“Ele corre mais do que o irmão (corre).”

O verbo da comparativa costuma ficar subentendido, igual ao da principal.

Conformativa

Indica conformidade, acordo

Conjunções
conforme, segundo, como, consoante
Exemplo
“Segundo informou a escola, a prova será online.”

Quando equivale a “conforme”, o “como” é conformativo: “Fiz como você explicou”.

Proporcional

Dois fatos que variam de forma relacionada

Conjunções
à medida que, à proporção que, quanto mais… (mais)
Exemplo
“À medida que a noite avançava, a temperatura caía.”

Não confunda “à medida que” (proporção) com “na medida em que” (causa, equivale a “já que”).

Exemplos resolvidos

Exemplo 1. Classifique as orações com “como”: (a) “Como não tinha dinheiro, ficou em casa.” (b) “Fiz o bolo como a receita mandava.” (c) “Ela canta como um anjo.”

  1. (a) Troque por “já que”: “Já que não tinha dinheiro, ficou em casa”. Funciona: causal.
  2. (b) Troque por “conforme”: “Fiz o bolo conforme a receita mandava”. Funciona: conformativa.
  3. (c) Há comparação entre o canto dela e o de um anjo, com o verbo subentendido (“como um anjo canta”): comparativa.

Exemplo 2. Reescreva “O time treinou bastante, por isso venceu” com uma oração subordinada, sem mudar o sentido.

  1. Identifique a relação: o treino é a causa; a vitória, a consequência. “Por isso” é coordenativa conclusiva.
  2. Escolha uma conjunção subordinativa causal: “como”, “já que”, “visto que”.
  3. Coloque a causa na subordinada: “Como treinou bastante, o time venceu.” Ou, pela consecutiva: “O time treinou tanto que venceu.”

Subordinadas também podem aparecer reduzidas, sem conjunção e com o verbo no infinitivo, gerúndio ou particípio: “Ao chegar, liguei” (temporal), “Terminada a prova, saímos” (temporal), “Estudando, você passa” (condicional).

Classifique a oração

Leia a frase e diga a que família pertence a oração destacada. O comentário mostra o teste que resolve cada caso.

Frase de

Acertos: de

Gabarito comentado das frases
  • É fundamental que todos leiam o edital. — Substantiva subjetiva. A oração é o sujeito de “é fundamental”: troque por “isso” e confira — isso é fundamental. O “que” é conjunção integrante.
  • O livro que você me emprestou é ótimo. — Adjetiva restritiva. O “que” retoma “livro” (dá para trocar por “o qual”) e a oração caracteriza esse substantivo, como faria um adjetivo.
  • Embora estivesse cansada, terminou a redação. — Adverbial concessiva. “Embora” introduz um obstáculo que não impede o fato principal: é uma circunstância de concessão.
  • Ninguém sabia se a prova seria adiada. — Substantiva objetiva direta. A oração é o objeto direto de “sabia”: ninguém sabia isso. Aqui o “se” é conjunção integrante.
  • Se você revisar o texto, vai achar os erros. — Adverbial condicional. Agora o “se” estabelece a condição para o fato principal: é adverbial condicional.
  • A cidade onde nasci fica no litoral. — Adjetiva restritiva. “Onde” retoma “cidade” (equivale a “na qual”): é pronome relativo, e a oração caracteriza o substantivo.
  • Saí cedo para que não pegasse trânsito. — Adverbial final. “Para que” indica a finalidade da ação principal.
  • Tenho certeza de que ela virá. — Substantiva completiva nominal. A oração completa o sentido do substantivo “certeza” (certeza disso). O “que” é integrante.

Erros comuns e como cai na prova

  • Classificar pelo conectivo, não pelo sentido. “Como”, “desde que” e “se” têm mais de uma função. A prova escolhe exatamente esses para testar se você leu a relação entre as ideias.
  • Confundir “que” integrante com “que” relativo. Troque por “o qual”: se couber, é relativo (adjetiva); se a oração inteira virar “isso”, é integrante (substantiva).
  • Ignorar a vírgula na adjetiva. Questões de reescrita perguntam se tirar ou pôr vírgulas “altera o sentido”. Na adjetiva, altera sempre.
  • Trocar conectivos de valores diferentes. Substituir “embora” por “porque” ou “à medida que” por “na medida em que” muda a relação lógica. Antes de aceitar uma substituição, confira se a circunstância continua a mesma.
  • Separar com vírgula a substantiva da principal. “É importante, que você leia” está errado: a oração é o sujeito, e sujeito não se separa do verbo por vírgula.

Para revisar as funções que as substantivas ocupam, veja sujeito e predicado e objeto direto e indireto. Os pronomes relativos estão no guia de pronomes.

Teste o que você aprendeu

respondidas 0/5

Escolha uma resposta e veja na hora se acertou. É para aprender — sem pressão.

  1. 1. Em “Como estava chovendo, o jogo foi adiado”, a oração “Como estava chovendo” é:

    Por quê: Anteposto e equivalente a “já que”, o “como” introduz a causa do adiamento.

  2. 2. Em “Você será aprovado desde que entregue todos os trabalhos”, a locução “desde que” expressa:

    Por quê: Com o verbo no subjuntivo (“entregue”), “desde que” equivale a “contanto que”: é condicional.

  3. 3. Qual frase tem oração adjetiva explicativa?

    Por quê: Entre vírgulas, a oração dá uma informação válida para o Sol do nosso sistema planetário; não separa um subgrupo.

  4. 4. Qual reescrita de “Estudou muito, mas não passou” mantém a relação de sentido usando subordinação?

    Por quê: “Mas” (coordenada adversativa) e “embora” (subordinada concessiva) expressam a mesma oposição, com estruturas diferentes.

  5. 5. Em “Quanto mais leio, mais entendo”, a oração “Quanto mais leio” é:

    Por quê: A leitura e a compreensão aumentam de forma relacionada, sem exigir uma proporção matemática exata: a estrutura “quanto mais… mais” é proporcional.

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Perguntas frequentes

Qual a diferença entre oração coordenada e subordinada?
A coordenada é independente na estrutura: soma-se a outra sem fazer parte dela ("Estudei e passei"). A subordinada exerce uma função sintática na principal, como sujeito, objeto ou adjunto ("Espero que você venha").
Como saber se a oração é substantiva?
Troque a oração inteira por "isso". Se a frase continuar fazendo sentido ("Quero isso", "É importante isso"), ela ocupa o lugar de um substantivo. Em geral começa com a conjunção integrante "que" ou "se".
Quando usar vírgula na oração adjetiva?
Só na explicativa, que acrescenta informação sobre todo o grupo e fica entre vírgulas. A restritiva, que limita o grupo, não leva vírgula. Por isso pôr ou tirar as vírgulas muda o sentido da frase.
Quais são as orações subordinadas adverbiais?
São nove: causal, consecutiva, concessiva, condicional, temporal, final, comparativa, conformativa e proporcional. Cada uma acrescenta uma circunstância ao fato da oração principal.